“Minha vida é uma bagunça louca. Nunca vou ser uma pessoa organizada. Não com as minhas coisas materiais. Eu sou uma adolescente que a mãe reclama do quarto está um zorra total. Mas ando melhorando nesse quesito, porém na medida que vou organizando meu quarto, minha vida vai bagunçando. Parece que cada objeto fora do lugar me ajuda a pensar, a levar minha vida melhor. Paranoico, né? Também penso assim. Risos. Eu queria que meu quarto fosse arrumado, daqueles que as pessoas entram e pensam: “nossa, meu quarto poderia ser assim, que maravilha!” Mas não é. E eu tento. Tento fazer isso tanto com o meu quarto como com a minha vida. E sabe que não dá certo? E não reclamo, não mesmo. Parece que na bagunça eu me encontro. Ou pelo menos me acostumo mais rápido. Parece que a bagunça é meu lugar, é meu jeito. E mesmo com tudo bagunçado não me falta muita coisa. Falta algumas coisinhas, mas nada que eu não consiga. Ou melhor, pensando aqui comigo, talvez seja eu. É, eu. Talvez toda essa bagunça não é falta de organização como a minha mãe pensa, talvez a bagunça seja eu. Quem sabe eu poderia me organizar, sim me organizar. O pior é que quanto mais eu penso em me organizar mais fico perdida na bagunça. Como pode? Queria poder colocar os meus pensamentos em ordem, colocar cade pedacinho de mim no lugar certo, mas não consigo. Até por que eu nem sei por onde começar. Poderia começar arrumando meu cabelo, colocando uma roupa que não seja meu pijama, deixar de sair de casa com aquela cara de emburrada que sempre faço… Talvez seja isso, talvez eu deva mudar. È tão complicado arruma essa bagunça quanto no meu quarto, quanto em minha pessoa. Talvez mudar tudo sobre mim: cabelo, por maquiagem, comportamento, minhas maneiras, personalidade, mudar cada centímetro, cada diâmetro de mim. Dá cabeça aos pés, eu preciso mudar. Talvez não tenha aguentado essa bagunça por aqui. È muita bagunça na minha vida. Uma bagunça das loucas, que as vezes não me encontro e na maioria das vezes sim. É eu vou mudar. Vou arruma essa bagunça aqui.”